terça-feira, 1 de junho de 2010

De volta!

Depois de 2 anos longe dessas páginas virtuais (ou reais), volto pra falar um pouco sobre sexualidade(s). Começo com uma pergunta: o que é ser heterossexual? Muito se discute sobre as diversas formas hoje de não ser parte desse conceito, mas acabam passando por cima da discussão sobre o que é ser heterossexual.

Segundo o dicionário Aurélio, heterossexual é relativo à afinidade, atração e/ou comportamento sexuais entre indivíduos de sexo diferente. Mas de que forma essa atração ou comportamento sexual se dá em cada um desses indivíduos? Podemos colocar o ser humano no patamar animal e dizer que é natural. Mas se é natural, porque meninos e meninas têm que aprender o que é de menino e o que é de menina? O ser humano não deixa de ser um animal, mas é também um ser social, que constrói seus conceitos e referenciais dentro de vivências e aprendizados. O ser humano é um intervalo entre o animal e o social, perpassando os dois tranquilamente. O desejo sexual, que é colocado como algo biologicamente natural, passa por uma construção repleta de conceitos de beleza e atração que são construções próprias do nosso tempo. Juntamente com a mudança dos conceitos do que é belo no decorrer de toda a História humana, o desejo sexual e pelo o quê se deve sentir desejo também vai mudando. Então o “ser heterossexual” é um ser mutável durante todo esse tempo, se ele é mutável a parte social da sua sexualidade muda junto com isso, então, na sociedade a heterossexualidade é um ensinamento, passado para meninos e meninas, mostrando, desde a infância, os papéis que cada um deverá assumir perante a sociedade, que posteriormente vai julgá-los segundo as suas normas e (pré)conceitos.

Da mesma forma que o ser humano é parte animal e parte social, a sexualidade é parte biológica e parte construída socialmente. O ser humano é um animal que se utiliza do sexo para satisfação dos desejos biologicossociais para além da necessidade da perpetuação da espécie. Estamos falando agora do desejo sexual, da vontade de fazer sexo por fazer, por prazer. Esse prazer construído em torno do sexo traz diversas implicações dentro da sociedade. A virilidade masculina, a liberdade de escolha da mulher, a gravidez na adolescência, a falta de planejamento familiar, doenças venéreas, e mais algumas outras coisas. Ora, mas ao mesmo tempo em que a sociedade reprime a sexualidade através de rótulos e conceitos, ela estimula essa sexualidade com imagens, objetos, uma série de apelações que faz parecer essa sociedade um tanto bipolar ou esquizofrênica. Meninos e meninas aprendem que um deve brincar de carrinho e a outra deve brincar de boneca, isso é muito bem ensinado para as crianças, mas acaba sendo esquecido de ensinar como aquela criança deve tratar o outro, o que é o sexo, o que são as relações entre duas pessoas, sejam elas de sexo diferentes ou não. Infantilizar e subestimar a capacidade de uma criança a aprender sobre isso é hipocrisia. Respeito ao outro é o principal.