segunda-feira, 9 de junho de 2008

Abraços grátis em prol de um mundo melhor?

Minha intenção não é difamar, por meio destas, a proposta do Free Hugs, é apenas atentar para o mundo em que estamos inseridos e suscitar reflexões a respeito.

Desde o início da dita “Idade Moderna” (perdoem o vicio historiográfico), é implementada uma saga até então não cessou: A busca pelo eu sozinho. A modernidade é marcada pela ruína da metafísica e das bases ilustradas, segundo Nietzsche. A expansão do Capitalismo é visível mediante o imperialismo europeu na Ásia e África. Dentre outros diversos fatores. Mas o que isso tem a ver com o Free Hugs? Bom, desde o século XIX até hoje, os “avanços” na ciência são bem mais significativos que durante todo o resto da era cristã. Hoje vivemos mais e melhor graças à tecnologia médica. Podemos nos comunicar com pessoas por todo o mundo sem sair da cadeira através da Internet. Parece bastante clichê esse meu discurso, mas já parou pra pensar quantos bons dias você deixou de dar enquanto ouvia música no seu iPod? Quantas pessoas deixou de conhecer de verdade enquanto estava parada na frente do pc por horas a fio? É visível a individualização das relações. Parece um tanto paradoxal, e realmente é. Estamos na era dos namoros virtuais, das comunidades de amigos que nunca se abraçaram, da troca de afetos que se trocarmos em miúdos são meras equações matemáticas de transferência de dados. Cada vez mais as pessoas se isolam e se socializam ao mesmo tempo. O isolamento acontece no âmbito do real e a socialização é cibernética.

O Free Hugs (abraços grátis), foi criado em Sidney, na Austrália em 2004 por um homem chamado Juan Mann. A proposta do “Abraços Grátis” é, além de distribuir os abraços, de fazer com que as pessoas abraçadas se sintam melhor, fazer com que pessoas desconhecidas troquem alguma palavra amiga, estreitar, nem que seja por um instante, as relações corpo-a-corpo. Essa proposta é bastante interessante, mas e o resto dos dias?

Não venho por meio deste blog insuflar os leitores para que quebrem seus pc’s e joguem no lixo os seus iPod’s, porque se for assim esse texto de nada serviria. Que todos continuem a utilizar seus aparelhinhos de som, a se socializar pela Internet, mas que esse não seja o método único. Que possamos nos socializar na rua com um sorriso, um “bom dia”, um “obrigado”, um “por favor”, que possamos conversar com pessoas desconhecidas sem julgá-las ou recriminá-las.

Os humanos foram feitos para se relacionar.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Microconto

Percebe que a suspeita acaba de sair de sua casa, entra no carro e sai. Inicia-se uma perseguição discreta. Precisava era saber para onde ela estava indo e com quem se encontrará.

Enquanto isso o marido espera ansiosamente um telefonema. As unhas já não saciam mais a sua inquietação. No silencio total de seu apartamento, toca o telefone.

- Ela acaba de entrar no prédio do seu amigo.

Não chora, nem ri. Pega as chaves do carro e parte para o local indicado. Sobe as escadas, encontra a porta aberta. Três tiros rompem os gritos de prazer e ódio.

Renato Mesquita

segunda-feira, 10 de março de 2008

Idéias descartáveis. Com possibilidade de reciclagem?

Creio que já devem ter ouvido falar em Revoluções por Minuto, existem várias musicas com esse nome. Mas se pararmos pra pensar e observarmos essas musicas, elas tocam num ponto muito presente no mundo atual. São inúmeras coisas acontecendo dentro de curtos períodos de tempo. Para ser uma pessoa atualizada em relação ao o que acontece no mundo, teríamos de nos dividir em mais de cem. Devido a essa aceleração milhares de informações se perdem e são esquecidas facilmente porque já tem muitas outras entrando na nossa cabeça, e nosso HD não tem essa capacidade monstruosa de guardar tudo, e se alguém tivesse essa capacidade seria uma pessoa ferozmente atormentada por uma crise existencial, ela não saberia quem era. Essa sociedade em que seus heróis só duram os 15 minutos de fama e há uma constante necessidade cada vez maior de outros novos heróis temporários. A substituição da autoridade pela celebridade. A autoridade nunca deixa de ser o que é; a celebridade basta vir outra melhor ou ser desgastada pelo excesso de exposição que ela é esquecida. As autoridades nos lembram ética, sabedoria e liderança. As celebridades são fundadas normalmente no sexo ou no bizarro, coisas que a mente humana faz estar sempre em mudança, devidos as novidades surgindo a cada segundo. O descartável do copinho, virou filosofia de vida coletiva. Usou virou lixo, mas será que dá pra reciclar?